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Blog · Mirko Peters

Por que os times do Azure finalmente estão deixando os templates ARM para trás

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Durante anos, engenheiros de nuvem e desenvolvedores que trabalhavam com o Microsoft Azure enfrentaram uma realidade agridoce ao adotar a Infraestrutura como Código (IaC). Por um lado, os templates do Azure Resource Manager (ARM) ofereciam uma forma nativa e poderosa de provisionar e gerenciar a infraestrutura de nuvem com confiabilidade. Por outro, escrever e manter esses templates significava li

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Cover: Bicep - Simply Explained

Durante anos, engenheiros de nuvem e desenvolvedores que trabalhavam com o Microsoft Azure enfrentaram uma realidade agridoce ao adotar a Infraestrutura como Código (IaC). Por um lado, os templates do Azure Resource Manager (ARM) ofereciam uma forma nativa e poderosa de provisionar e gerenciar a infraestrutura de nuvem com confiabilidade. Por outro, escrever e manter esses templates significava lidar com arquivos JSON verbosos, aninhamento profundo, estruturas de código inchadas e conflitos de merge dolorosos sempre que um membro da equipe mexia no repositório. Se você já passou horas depurando um colchete fora do lugar ou uma vírgula invisível em um documento JSON de mil linhas, conhece bem o tipo de frustração que acompanha as implantações tradicionais no Azure.

Felizmente, o cenário da nuvem evoluiu. Os times do Azure estão, gradualmente, abandonando os templates ARM puros em favor do Bicep, uma linguagem específica de domínio mais limpa e mais amigável para humanos, projetada para abstrair os pontos problemáticos do JSON sem abrir mão da confiabilidade do Azure Resource Manager. Neste guia completo, vamos explorar por que essa mudança está acontecendo, como o Bicep funciona por baixo dos panos e por que fazer a transição pode reduzir a base de código da sua infraestrutura em até 60%.

Introdução à fadiga com templates ARM

Para entender por que o Bicep conquistou a comunidade Azure, primeiro precisamos diagnosticar a causa raiz da fadiga com templates ARM. Quando o Azure popularizou as implantações baseadas em templates, o JSON era o padrão universal para troca de dados. No entanto, o JSON nunca foi projetado para ser uma linguagem de programação ou uma ferramenta de definição de infraestrutura. À medida que os ambientes de nuvem cresceram em tamanho e sofisticação, as limitações do JSON ficaram gritantemente óbvias.

A complexidade cresce exponencialmente com os templates ARM tradicionais. Uma implantação empresarial padrão, envolvendo redes virtuais, sub-redes, Key Vaults e identidades gerenciadas, rapidamente se transforma em arquivos inchados que ultrapassam milhares de linhas. Como o JSON não oferece nativamente estruturas de repetição nem modularização avançada, os engenheiros recorrem com frequência a funções de cópia complexas e aninhamentos confusos. Quando vários membros da equipe tentam colaborar no mesmo arquivo de template monolítico, conflitos de merge frequentes se tornam uma consequência inevitável, e não uma exceção. Depurar esses arquivos costuma parecer procurar uma agulha em um palheiro digital, o que leva muitos times a abandonar a IaC automatizada e recorrer a cliques manuais no portal, propensos a erros, o que anula completamente o propósito da automação com DevOps.

Visão geral do Bicep

Reconhecendo esses problemas recorrentes dos desenvolvedores, a Microsoft introduziu o Bicep como uma camada de abstração transparente sobre os templates ARM. O Bicep não é um substituto do Azure Resource Manager; é, na verdade, uma forma mais inteligente e concisa de interagir com ele. Tudo o que você pode fazer em um template ARM você pode fazer no Bicep, mas com uma fração da carga cognitiva.

Em sua essência, o Bicep traz uma sintaxe simplificada que se lê quase como texto em português simples. Ele elimina o ruído sintático do JSON (diga adeus a aspas, colchetes e vírgulas intermináveis) e o substitui por declarações limpas e declarativas. Como o Bicep é uma linguagem compilada, o seu código funciona como a fonte da verdade, que é então transpilada para o JSON padrão do ARM durante a fase de implantação. Essa arquitetura inteligente garante 100% de compatibilidade com o mecanismo de implantação subjacente do Azure e melhora drasticamente a experiência do desenvolvedor no dia a dia.

Como o Bicep funciona

Entender a mecânica do Bicep ajuda a esclarecer como ele faz a ponte entre a legibilidade humana e a execução pela máquina. Quando você escreve código de infraestrutura com Bicep, cria arquivos com a extensão .bicep. Esses arquivos utilizam uma linguagem específica de domínio otimizada especialmente para o provisionamento de recursos do Azure.

O fluxo de trabalho é refrescantemente simples:

  1. Criação: Você cria e edita seus arquivos .bicep localmente em ambientes de desenvolvimento integrados modernos, como o Visual Studio Code, aproveitando extensões ricas que oferecem IntelliSense, validação de sintaxe e linting em tempo real.
  2. Compilação: Usando o comando da CLI do Bicep bicep build main.bicep, seu código limpo é compilado em um template JSON padrão do ARM.
  3. Implantação: Você implanta o template resultante diretamente no Azure usando a CLI do Azure ou o Azure PowerShell, exatamente como sempre fez.

Essa etapa de compilação garante que o mecanismo de implantação central do Azure permaneça inalterado, o que significa que suas políticas corporativas, controles de acesso baseados em funções e verificações de segurança de implantação continuam funcionando sem interrupções.

Benefícios do Bicep

A transição dos templates ARM baseados em JSON para o Bicep traz ganhos imediatos e mensuráveis para as equipes de engenharia. Antes de tudo, há a redução drástica do volume de código. As equipes relatam com frequência reduções de código de 50% a 60%, o que significa menos linhas para escrever, revisar e manter.

Além disso, o Bicep potencializa a colaboração em equipe. Ao permitir que as definições de infraestrutura sejam divididas em módulos menores e reutilizáveis, diferentes membros da equipe podem trabalhar em componentes separados da arquitetura ao mesmo tempo, sem atrapalhar uns aos outros. O controle de versão fica bem mais limpo, as revisões de código levam minutos em vez de horas, e integrar novos engenheiros a projetos de nuvem se torna um processo tranquilo, em vez de um desafio árduo.

Primeiros passos com o Bicep

Começar a usar o Bicep exige muito pouco esforço. Como a CLI do Bicep é leve e se integra nativamente à CLI do Azure, você pode começar a usá-lo no Windows, macOS ou Linux em poucos minutos.

Para começar, certifique-se de ter a CLI do Azure instalada, junto com o Visual Studio Code. Instale a extensão oficial do Bicep para o VS Code para liberar recursos avançados, como preenchimento de código, validação de parâmetros e descoberta automática de tipos de recurso. Depois de configurado, escrever seu primeiro recurso, como uma conta de armazenamento do Azure ou uma rede virtual, leva apenas algumas linhas limpas de código, substituindo o que antes seriam dezenas de linhas de JSON repetitivo e denso.

Casos de uso do Bicep

O Bicep se destaca especialmente em dois grandes cenários corporativos: implementações fundamentais de Infraestrutura como Código e implantações em múltiplos ambientes.

Em pipelines de IaC padrão, o Bicep se integra sem esforço a plataformas de CI/CD como GitHub Actions e Azure DevOps, possibilitando implantações totalmente automatizadas e repetíveis que eliminam o desvio de configuração. Para arquiteturas com múltiplos ambientes, como desenvolvimento, testes, homologação e produção, o suporte do Bicep a parâmetros e templates modulares permite manter uma única base de código padronizada, injetando com segurança variáveis e configurações específicas de cada ambiente na hora da implantação.

Perguntas frequentes

O que é o Bicep?

O Bicep é uma linguagem específica de domínio, transparente e de código aberto, criada pela Microsoft para implantar recursos do Azure de forma declarativa, com uma sintaxe mais limpa do que a dos templates ARM tradicionais.

Em que o Bicep difere dos templates ARM?

Enquanto os templates ARM usam uma sintaxe JSON verbosa, difícil de ler e manter, o Bicep oferece uma sintaxe concisa e legível, com suporte avançado de ferramentas. Arquivos Bicep são compilados em templates ARM antes da implantação.

Posso converter templates ARM existentes para Bicep?

Sim! Você pode descompilar facilmente templates ARM em JSON existentes para arquivos Bicep usando a CLI do Bicep e começar imediatamente a aproveitar sua sintaxe simplificada.

O Bicep é gratuito?

Sim, o Bicep é totalmente gratuito e de código aberto, com suporte completo da Microsoft como um cidadão de primeira classe para o gerenciamento da infraestrutura do Azure.

O Bicep oferece suporte a modularidade?

Com certeza. O Bicep foi desenvolvido desde o início para oferecer suporte a um design de código modular, permitindo dividir grandes implantações de infraestrutura em componentes reutilizáveis e gerenciáveis.


Deixar os templates ARM legados para trás já não é apenas uma escolha experimental para equipes visionárias: está se tornando o padrão de referência para uma engenharia de Azure eficiente e escalável. Ao reduzir drasticamente a complexidade do código, melhorar a colaboração e simplificar implantações em múltiplos ambientes, o Bicep permite que profissionais de nuvem se concentrem em construir bons softwares em vez de lutar com arquivos de configuração.

Para aprofundar este tema e ouvir insights práticos sobre como equipes modernas estão modernizando suas estratégias de nuvem, não deixe de conferir nosso episódio de podcast relacionado: Bicep - Simply Explained.

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